Pintura Contra baixo 6 cordas Fretless

 Quando o Daniel me procurou, e me mandou a foto do seu contrabaixo, e as opções de cores que queria, logo me empolguei e com certeza pensei em fazer o melhor trabalho possível. O Daniel já passou por aqui e deixou um outro super baixo De Oliveira dele para trocar o verniz, que pode ser conferido clicando aqui. E como sempre ao som de alguma coisa que estou ouvindo, hoje a trilha é um dos discos mais clássicos do progressivo nacional, O Terço – Criaturas da Noite. Tenho escutado e estudado bastante banda nacional dos anos 60 e 70, como Módulo 1000, Ave Sangria, A bolha, e alguns outros super clássicos de 69, pra mim a melhor fase da música brasuca, Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano, e alguns outros.

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Logo quando chegou fiquei bastante animado, não é sempre que se vê um desses por aí, preto fosco carrancudo, 6 cordas, Ativo, pré amp dos bons, bem bolado, parece coisa de baixista de Black Metal, mas não ! O cara toca em um banda de pop rock, e talvez por isso resolveu dar uma cara diferente para o instrumento.
Um fato inesperado que aconteceu durante a transformação do mesmo é que quase eu fiquei cego, infelizmente me descuidei durante a aplicação de uma das camadas do verniz e deixei a tampa do recipiente da pistola, onde fica o verniz, um pouco aberta e levantando o braço pra alcançar o headstock aqui virou em cima do meu rosto, foi aterrorizante, entrei em desespero, larguei tudo e corri para o banho, pra tentar remover aquilo, enquanto meu rosto todo fervia, o sangue subia, o corpo foi ficando quente e minha visão foi apagando, resumindo fui parar no hospital com o olho colado de verniz. Chegando lá, não fui atendido nem na recepção, pois estavam em troca de turnos como me disseram, esperei algo em torno de meia hora e nada, e isso se tratando de uma emergência, resolvi voltar pra casa e tentar resolver isso em casa mesmo. Uns banhos de colírio de hora em hora e muita água no rosto, fiquei com, entre 80, 70% da pouca visão que tenho por uns dias e os cílios que pareciam que tinha passado rímel, do olho direito ainda tem até agora.

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Primeira coisa, foi remover toda a pintura e deixar todo na madeira,  com o preto fosco antes, mas era desses mais recentes de uma das linhas da Sherwin Williams, produtos de pintura com quais eu trabalho. Era aquele fosco com textura envelopada que usavam ou ainda usam em carros por aí. Incrivelmente o preto fosco é bem fácil de remover, ele é quebradiço e bem fino, já que poucas demãos bastam, pois não precisa de um acabamento igual o PU ou Nitro com brilho.

DSCF0853  No começo  uma das idéias para a cor era um “Green Burst” mas como o Luthier que construiu esse baixo deu uma leve deslizo, terminou lascando ou abrindo um buraco no corpo, que foi tapado com uma massa, resina transparente, essa mancha escura que se vê na foto.

DSCF0865 O corpo do baixo só na madeira com verniz ficaria lindo, ou talvez até mesmo o Green Burst, mas o que atrapalhou mesmo foi a cicatriz que tinha no corpo do baixo, poderia sim ser feito o burst, mas teria que puxar muito o preto para o meio e não ficaria legal, mas o destaque das faixas no meio seria perfeito.

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Confesso que todas as pinturas que me aparecem são as bem tradicionais, algumas bem básicas, e temos uma infinidade de cores para explorar.  Essa foi a primeira vez que tive de usar tinta poliéster devido ao tipo de cor, não existe em PU e acostumado sempre a usar o PU (poliuretano) até estranhei um pouco, é bem diferente o modo de pintura.  Vocês podem abusar sempre, soltar imaginação e mandar ver na criatividade, que daqui eu faço acontecer.

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E como não é só a pintura, a escala mesmo sendo fretless também recebe um tratamento. Limpa, e hidratada e lixada tão fina que quase polida.

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Pintura Corpo Contrabaixo Precision

  2015 Caraaaaaaa, primeira postagem do ano! Esse ano passou rápido como um vortéx, foi bastante produtivo, e o começo de ano ainda mais ! digamos que a coisa começou já pegando fogo, “Warming By the Devil’s Fire” desde dezembro. Hoje como trilha o sensacional Booker T. & The MG’s embala o post.
Já não é a primeira vez que a galera por aí tenta pintar um instrumento, sem experiência, alguns tentam aprender vasculhando pela net e o resultado são esses que se vê por aí. 001 Essa foi a cor escolhia por quem pintou, acertou até o tom, o Surfgreen como é chamado, é uma cor Vintage usada pelas Fender nos anos 50, e é uma cor muito foda  charmosa, não sei se é por que sou fã assumido de carteirinha dos Instrumentos Vintages, mas o Creme, o Surf Green e o Sonic Blue são as cores mais perfeitas que casam bem em qualquer instrumento, logicamente dependendo do modelo, nunca ficaria legal por exemplo uma Les Paul Surfgreen. Minha cabeça não consegue nem imaginar isso.                                                                                                                                                                                                                                                                                            . 002 Aqui nessa foto dá pra ver como a pessoa pintou, com camadas extremamente grossas, com Primer, fundo e tudo que tem direito pra deixar mais grosseiro. E como sempre falo, madeira precisa “respirar” nesse caso precisa vibrar, e essa pintura além de mal acabada faz com que o instrumento perca frequência e todo o timbre que um corpo de mogno com top de maple pode oferecer, e não adianta ter um Alder, Ash ou seja lá qual for e ter várias camadas em cima, abafa tudo! Na foto se vê, seladora, fundo transparente, primer, tinta branca bem grossa, Surf Green mais grosso ainda, e depois verniz. .

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Após remover tooooda aquela sujeira hora de lixar o fundo, nivelar tudo e depois fazer do meu jeito, que não é do modo tradicional igual ao que todo mundo faz, sem todas essas camadas e mais de 10 demãos, uma boa seladora de uma marca de qualidade bem aplicada pra mim é suficiente como fundo. . 004

       A ideia inicial que tivemos era pintar na cor Sunburst, com esse top ficaria uma coisa divina, mas continha algumas rachaduras, alguns buracos e alguns lascados que pela foto não aparecem, só mesmo clicando na imagem ou talvez dando zoom, mas realmente é bem bonito e foi bem caprichado. . 005  Já pulando as etapas. Quando a coisa é bem feita, fica assim ! A foto tirada durante o polimento, tinha acabado de sair da secagem do verniz, ou seja esse brilho todo já veio da aplicação do mesmo. O segredo para um bom acabamento “Gloss“, além do material de qualidade, a diluição química nas porcentagens certas, e alguns macetes que surgem com o tempo, a aplicação é a parte uma das partes mais importantes. Segue abaixo fotos dos detalhes . 006                                                                                                                 Gloss 007

Espelho !

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Regulagem geral Tagima k2 Signature Kiko Loureiro

 Kiko loureiro é um cara que dispensa comentários para qualquer guitarrista, e uma guitarra signature do cara só pode ser coisa boa e a marca que escolheu fazer isso foi a Tagima, marca que também é bastante conhecida no meio musical. O músico, amigo, guitarrista Rafael Felix escolheu essa Tagima pra ser a segunda filha dele, a outra guitarra dele já passou por aqui para um Fretwork. Comprou essa belezinha de alguém e me entregou para uma geral nela. Foi feita uma retífica e polimento dos trastes, limpeza e hidratação da escala, um “check up”  na elétrica blindagem com tinta condutiva, cordas novas e regulagem final.

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Assim que peguei a guitarra o Rafael me mostrou que em algumas casas o Bend morria, o som parava e dava um certo desconforno, sem contar os trastejos,  sem pensar muito eu já imaginava que fosse isso, e acertei. Nesse caso se deve fazer um retífica de trastes, ou seja, para que o traste posterior não seja mais alto que seu antecessor evitando o trastejo. No primeiro sinal de desgaste do traste se deve imediatamente levar ao Luthier pois assim que criado o primero desgaste se torna mais fácil de ir “cavando” o lugar. A retífica é feita pra corrigir isto, mas se o desgaste dos trastes for muito, aí só trocando mesmo, chega um limite que não pode mais ser feita a retífica, pois fica muito baixo.

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Geralmente quando falo de limpeza e hidratação da escala as pessoas não entendem a importância disso. Assim como os trastes a escala também é essencial ao resultado final do som, sendo assim a escala suja e gordurosa, pode não só afetar a madeira da escala, que consequentemente pode até influenciar nos trastes soltos, mas também no encordoamento. Quer um som limpo ? mantenha seu instrumento limpo. Isso deveria ser regra. Aqui uso somente produtos próprios para isso, que dão total resultado no trabalho.

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Todo o processo de retífica/alinhamento dos trastes, o final é uma das partes mais legais e importantes, que é o plimento, que resulta não só no belo visual mas também na sonoridade em geral do instrumento.

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Foto detalhada da ponte alinhada e ação de cordas bem baixa e micro afinação equilibrada, o que é muito importante na hora de regular a ponte flutuante do tipo Floyd Rose.

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                                                                                          Ação baixa.

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E pra quem mete o pau nas madeiras e pensa que só a combinação Alder/ Maple ou Ash/ Maple são boas, essa K2 é uma combinação de Cedro/Marfim que tem bastante sustain e som bem definido, ao contrário do que dizem.

Mais uma guitarrinha pronta pra voltar pra casa.