Superstrat Custom

A arte da luteria é uma arte regada por sonhos, onde cada instrumento conta uma história, um sonho que envolve milhares de sentimentos; amor, paixão, orgulho, admiração, fidelidade…Se tornam uma extensão do nosso corpo e através deles são compostas músicas vindas do fundo da alma (ou não). E na na luteria você tem a opção de cuidar de seu instrumento e personaliza-lo da forma que quiser, para que se tornem únicos, mais do que já são. Mesmo fabricados em série, um instrumento nunca é igual a outro.

Leandro foi mais um sonhador que trouxe essa belezinha pra eu poder fazer mais uma etapa do seu sonho se realizar. Ele fez sua própria guitarra no seu apartamento sozinho, num capricho espetacular que vale ser destacado. Tudo veio muito bem feito, praticamente impecável, só precisei fazer o acabamento.

 

O corpo em cedro puro e totalmente maciço, uma peça bem bonita e bem escolhida com um braço em wengue. Uma madeira de veios bem definidos e incrivelmente bonita. Pediu para que eu fizesse o acabamento do corpo em yellowburst transparente, e o braço somente na seladora com os poros abertos.

 

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     As curvas e o shape ficaram incríveis

 

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  detalhes

 

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Uma guitarra dessa precisava de uma pintura fina e de bom gosto, pediu também que fosse um Burst com um degradê mais aberto, suave e não marcado, como nas guitarras vintage.

 

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Tudo foi feito com total capricho pois sei que se tratava de um projeto bem especial que demorou meses para que chegasse a esse ponto que me foi entregue. Nada mais justo do que eu entregar como me pediu, ou como ele mesmo disse, até melhor !

 

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 Já a parte da montagem e regulagem geral ficou por conta dele.

 

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Essas últimas fotos foram enviadas pelo mesmo depois do instrumento pronto. Sinceramente, ficou uma coisa linda demais, parabéns pelo projeto Leandro !

 

 

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Reforma Snake 70’s

Minha paixão por guitarras sempre foi muito nítida, principalmente por instrumentos vintage, esses sim roubam totalmente meu coração. Em particular prefiro os nacionais, que nos anos 70 a 90 fizeram coisas muito preciosas e desvalorizadas por nós mesmo. Desde amps, pianos, órgãos, violões, guitarras, baixos, entre outros…pra época, em que tudo aqui era difícil (ainda é), construíram verdadeiras obras-primas.
A Snake, uma das principais marcas de instrumentos nacionais dessa época, é objeto de desejo pra muitos músicos e colecionadores até hoje. Segundo alguns, era a melhor marca, eu prefiro a Giannini.

DSCN1800  Essa chegou até a mim por que o dono que havia comprado a guitarra na adolescência, queria reforma-lá mantendo os padrões originais, o que é uma tarefa um pouco difíicil mas um desafio gostoso de fazer.

 

Toda a guitarra estava desmontando, os friso soltos, algumas batidas bem fundas no tampo e nas laterais. Sobre o tampo e o fundo havia uma folha de madeira bem fina e que estava também descolando, o que foi bem chato de refazer. Para muitos era só jogar no lixo. Mas tudo aqui tem jeito !

 

DSCN2791 Depois de muita lixa, cola, mais lixa, massa, fundo e lixa ficou assim, pronta para pintura. Uma espécie de rosa poliéster com um tom meio rosado, quase um vinho. E após pesquisar não encontrei nenhuma cor como referência, resolvi fazer no olho mesmo.

 

DSCN3427.JPG A cor que escolhi pra isso foi um Rosso Bougainvillea e apliquei como fundo para conseguir a base rosada e depois com um poliéster avermelhado de baixa cobertura tentar acertar a tonalidade original.

 

DSCN4708   A ideia casou muito bem, não foi feita igual a original, porém ficou até melhor! O tom muito próximo, levando em consideração que a pintura anterior em nitro, estava totalmente desbotada, fosca mesmo, e nessa usei o verniz PU o que realçou bem mais a cor. Na foto acima ainda sem o polimento, durante as demãos de verniz.

 

DSCN4757  Este foi o resultado final, tentando manter as cores originais, com um pouquinho de brilho, mas ficou bem próximo.

 

 

Quer construir, pintar, reformar, personalizar seu instrumento ? Aqui as possibilidades são infinitas, você manda e nós fazemos.

 

Relic também é arte.

Muita gente no mundo das cordas é apaixonado pelos vintage. Instrumentos dos anos 50, 60, 70 e até 80 são bastante cobiçados por aí, principalmente por alguns serem raridades e outros pelo visual, além é claro da questão sonora, a secagem da madeira durante os anos faz com que o som gradativamente melhore. E o mais perto que conseguimos chegar desses instrumentos vintage é através do relic, mas o que é o relic ?
O relic consiste em desgastar o instrumento em pontos específicos, geralmente onde tem mais contato com o corpo do músico, batidas acidentais, marcas da correia, etc.

 

O relic jamais deve ser feito com o Pu e mesmo com o nitro, deve se tomar alguns cuidados, e não é somente maltratar o baixo e desgastar a pintura de forma desenfreada. Há grande nomes no mundos das cordas que são especialistas em relic, como pro exemplo o grande John Cruz, Masterbuilt da Fender Custom Shop, em que seus trabalhos valem verdadeiras fortunas. Há todo um processo no relic, e como visto acima não foi respeitado. O instrumento já havia tido uma tentativa de relic, com nitro inclusive, porém com camadas muito grossas e desgastes um pouquinho além do ponto.

 

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O corpo havia muitas batidas e marcas, algumas bem fundas. O corpo foi muito mal lixado anteriormente e estava totalmente desnivelado, torto mesmo. Tive muito trabalho com lixas pra deixar tudo certinho, além de ter que aplicar muita massa e finalizar com um fundo epóxi que é bem resistente e cria uma camada bem grossa, suficiente pra lixar e dar forma a um instrumento novo.

 

 

Tive que fazer uma pintura nova, deixando o baixo zerado ! E a cor fiesta red ficou tão bonita que deu pena de jogar o branco por cima para fazer o relic, era só polir e montar. Depois da pintura ainda tem o verniz nitro que amarela com o tempo, mas tenho minhas técnicas pra ele amarelar em 1 dia, além de todos os pontos específicos de desgaste pra deixar tudo como um verdadeiro vintage

 

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O baixo, um Giannini Stratosonic construído em meados dos anos 70/80 tem uma tocabilidade incrível, tive um anos 90 e foi o meu preferido em muitos dos baixos que já passaram pelas minhas mãos, entre instrumentos caros e baratos. Contou também com a elétrica de um EMG Hz Set com blend e captadores Bartolini. Ficou uma verdadeira máquina. Moderno no som com visual vintage !

 

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O relic, o vintage, o velho, é fetiche pra muita gente, questão de gosto, eu sei, mas é impossível não se apaixonar por um instrumento desses.  Um relic bem feito sem parecer artificial. Relic é Arte.

Fender Mustang

Entre um café e outro é a hora que consigo ter tempo pra postar aqui, normalmente os dias têm sido bem corridos, mas estou sempre tentando registrar a maioria dos trabalhos para postar aqui, lembrando que não são todos que vem pra cá. Tento sempre selecionar os melhores como essa Fender Mustang Lindíssima que o Viktor nos trouxe. O cara toca numa banda cover de Nirvana e como bom fã quis transformar a dele pra deixar mais próxima possível do seu ídolo, Kurt Cobain.

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A guitarra certamente é bem especial, a começar pelo modelo incomum, a ponte que é uma delícia e principalmente os controles das chaves, no qual se resumem em Volume/Ganho, Tone, e seleção de série/paralelo ou fora de fase. Introduzida em 1964 como linha estudante, composto pela Musicmaster e Duo-Sonic. Produzida até 1982 e re-introduzida nos anos 90, ganhou status de cult graças ao seu uso por Kurt Cobain do Nirvana. Tem o maior valor colecionável entre as guitarras de escala curta da Fender.

 

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O que mais me chamou atenção além dos detalhes do corpo e configuração da elétrica é o braço de escala curta entre 22,5 ou 24 polegadas, mais curto que numa Stratocaster. O raio da escala de 7.25″ (184.1 mm), de longe o meu preferido. Só faltava o shape em soft V, o que torna a pegada incrível. É lógico que isso é questão de gosto e varia de acordo com o que você toca. Quem gosta de Ibanez, que o raio vai de 12″ a 18″, certamente vai estanhar.

 

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Agora chega de falar e mãos à obra. Uma das partes mais legais é essa, acreditem ! Por sorte essa foi fácil de remover, parecia nitrocelulose só que bem acabado, diferente das Gibson tribute por exemplo.

 

Fender Mustang

Foto da guitarra já pronta que saiu daqui blindada e regulada direto pro embarque para um show em SP em grande estilo e  novo visual !

Refinish PRS Blue fade.

Uma lindíssima guitarra modelo PRS fabricada pelo luthier Wagner Peixoto de Curitiba para o Everton Cesar, músico do grupo Molejo.  Guitarra bem construída, elétrica em perfeito estado, blindada e aterrada como se deve, com acabamento anterior em verniz nitro na parte de trás e PU (poliuretano) na frente, porém, mesmo assim sem vida, tenho certeza que não foi por descuido do dono, mas originalmente o acabamento era aquele mesmo.

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 Vemos que a proposta  do “faded” não rolou mesmo, e parece apenas duas cores bem divididas, além de bem desbotadas, sem vida mesmo. E uma guitarra dessas merecia um acabamento especial que vocês podem conferir no vídeo do processo abaixo.

 

Segue abaixo algumas fotos tiradas durante o processo.

 

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Um ponto importante é na hora de lixar o top, pois se não tomar cuidado pode deformar e tirar alguns detalhes que são parte do charme desse modelo. Mas isso a gente faz bem.

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Depois de removido todo o resíduo da tinta anterior, essa foi uma das partes mais legais, poder ter uma breve noção de como ficaria o top tingido da forma correta. Só deixava a gente mais ansioso, já que a cor ia realçar bem mais com o verniz.

 

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Vejamos aqui por exemplo, nas primeiras mãos de verniz, como a cor realçou totalmente comparada com a foto anterior. Um bom verniz e bem aplicado faz mágica!

 

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Detalhes após o polimento.

 

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Agora sim, digna de uma PRS de verdade.

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Se você também quer pintar, customizar, reformar, e até mesmo construir uma guitarra conosco, mande um email para nós!

Refinish Fender Lonestar

Queridos amigos que acompanham o blog, estou de volta ! Depois de alguns meses sem dar as caras por aqui por conta de muito trabalho. Hoje porém posso dizer que estou um pouco mais livre e posso tocar alguns projetos bem bacanas pra frente, inclusive a Mojohands, tem uma postagem sobre ela aqui no blog.
Posso afirmar que está vindo bastante coisa legal por aí!

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A guitarra de hoje é uma Fender Lonestar Americana belíssima, na cor creme. Inteira, bem cuidada e bem bonita. Foram feitas algumas modificações antes por algum outro Luthier . Captadores trocados, tarraxas Fender com trava, ponte nova e um hipshot tremsetter na parte traseira da ponte. Que havia sido instalado errado e foi corrigido por mim depois.

 

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Pra quem não sabe o Hipshot é um estabilizador da ponte, ideal pra quem usa muito a alavanca, seja lá em uma Floyd Rose, uma semi flutuante ou até (por que não?!) numa ponte fixa como nas strats. Ele consiste nessa mola que é comumente instalada no meio da ponte e pode ser regulada de acordo com a sua necessidade. No caso da lonestar é uma ponte semi-flutuante, que é sustentada por dois pivôs e permite alavancar para amos os lados.

 Vantagens:
– Mantém a afinação perfeita quando se usa a técnica do Palm Muting
– Permite Bends sem desafinar as demais cordas
– Mantém a ponte mais estável permitindo maior sustain
– Permite dropar a afinação da 6ª corda (E) para Ré (D) sem desafinar as demais
– Por estabilizar a ponte, permite reafinação após trocas de cordas mais facilmente
– Permite Afrouxar e Esticar as cordas com a alavanca normalmente
– Dependendo da regulagem de pressão das molas permite até que se mantenha a afinação após a quebra de uma corda

Além de tudo, o mais legal. Uma cor nova.

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Sempre que pegamos qualquer instrumento ficamos curioso por saber como é a madeira por baixo, se é maciça, se tem emendas, se tem um desenho bonito, se tem buracos ou massa, etc. Isso tudo mostra o capricho final de uma grande marca como a Fender. Então por mais que seja trabalhoso, essa é uma das partes mais animadas do processo.

 

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A ideia principal era um sunburst em 3 tons, daqueles bem clássicão memo.
Só que infelizmente a madeira não ajudou tanto. Afinal, dependíamos de saber como era o top e se iria ficar bacana. A verdade é a seguinte, como se pode ver na foto, a guitarra foi feita em vários pedaços colados e por cima uma folha de madeira que até disfarça bem…até chegar no rebaixo do encaixe do braço (existe alguma palavra pra isso ?) onde não tem como esconder.
Logo como o sunburst é translúcido no meio, não iria ficar legal, não existe burst que disfarce esse tipo de  emenda.
PS: Soa um tanto anti ético tocar nesse assunto assim, mas serve pra muita gente que acredita que por estar comprando uma americana, está levando uma guitarra de peça única, maciça e sem emendas, ta aí.

 

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Então optamos pelo Shoreline gold, também usada na mesma linha da Lonestar.

 

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Sinceramente, essa foi a primeira vez que tive que fazer essa cor, que foi bem difícil por sinal Pra acertar a tonalidade é um pouco chato. Mas também foi a cor mais bonita que já saiu de minhas mãos, eu mesmo fiquei encantado com o resultado e com certeza farei em alguma guitarra Mojohands em breve, que terá somente cores customizadas.

 

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Sempre faço diversos testes de tocabilidade na guitarra antes de entregar, e nessa o conjunto tarraxas com trava, ponte e hipshot, ficaram perfeitamente regulados. A guitarra não desafina por nada. Dive bomb é besteira!

Giannini GIB WG5 Act

Desde que fiz a minha primeira guitarra, o que na verdade seria um protótipo da futura Mojohands Custom Guitars. Percebi que o tipo de acabamento escolhido pra essa “primeira” terminaria virando uma espécie de marca registrada. Fiquei totalmente satisfeito e quis fazer esse acabamento outra vezes em instrumentos meus e de clientes, e não deu outra, choveu pedidos na página e por email, e apesar de não postar aqui, foi o tipo acabamento que mais fiz.

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Recentemente apareceu um Bass aqui para reforma que vale muito a pena compartilhar aqui com vocês. Se trata de um Giannini GIB WG5 Act, cópia do Warwick Rockbass. uma das primeiras linhas feitas logo quando deixou de ser fabricado no Brasil e passou a ser fabricado na china e com madeiras boas.


Essa foi uma foto que o dono enviou, já que eu havia esquecido de fotografar antes.

No catálogo do site consta a data de 2001/2002  e as seguintes configurações:

Corpo :Ash
Braço :Maple
Escala :Rosewood
Marcação : White Dot
Trastes: 24 Jumbo
Ponte: Fixa
Captadores: 1 Humbucking
Controles:  1 Vol, 1 Tone, 1 Pan ( Push Pull )
Tarraxas: Blindadas
Ferragens douradas
O mais bacana de tudo é que na foto não aparece os detalhes da pintura translúcida. Mas assim que eu o peguei já tinha na cabeça ideia do que queria fazer, e o dono do baixo me deu a liberdade de escolher o acabamento.
Dessa vez estava tão animado com essa pintura que fiz até um video com alguns pequenos takes de todo o processo. Muita lixa, muita poeira, muita sujeira, verniz e muita diversão e carinho também.

Segue abaixo algumas fotos do instrumento pronto :

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O mais legal de tudo é que o corpo é todo inteiriço em Ash com um destalhes lindos por todo o corpo que só vendo pessoalmente pra sacar. Alguns desses detalhes aparecem no bem vídeo.

 

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E se você quer um acabamento desse tipo e dessa qualidade não pense duas vezes,  fale conosco por e-mail e passamos um orçamento para qualquer tipo de serviço.