Reforma Snake 70’s

Minha paixão por guitarras sempre foi muito nítida, principalmente por instrumentos vintage, esses sim roubam totalmente meu coração. Em particular prefiro os nacionais, que nos anos 70 a 90 fizeram coisas muito preciosas e desvalorizadas por nós mesmo. Desde amps, pianos, órgãos, violões, guitarras, baixos, entre outros…pra época, em que tudo aqui era difícil (ainda é), construíram verdadeiras obras-primas.
A Snake, uma das principais marcas de instrumentos nacionais dessa época, é objeto de desejo pra muitos músicos e colecionadores até hoje. Segundo alguns, era a melhor marca, eu prefiro a Giannini.

DSCN1800  Essa chegou até a mim por que o dono que havia comprado a guitarra na adolescência, queria reforma-lá mantendo os padrões originais, o que é uma tarefa um pouco difíicil mas um desafio gostoso de fazer.

 

Toda a guitarra estava desmontando, os friso soltos, algumas batidas bem fundas no tampo e nas laterais. Sobre o tampo e o fundo havia uma folha de madeira bem fina e que estava também descolando, o que foi bem chato de refazer. Para muitos era só jogar no lixo. Mas tudo aqui tem jeito !

 

DSCN2791 Depois de muita lixa, cola, mais lixa, massa, fundo e lixa ficou assim, pronta para pintura. Uma espécie de rosa poliéster com um tom meio rosado, quase um vinho. E após pesquisar não encontrei nenhuma cor como referência, resolvi fazer no olho mesmo.

 

DSCN3427.JPG A cor que escolhi pra isso foi um Rosso Bougainvillea e apliquei como fundo para conseguir a base rosada e depois com um poliéster avermelhado de baixa cobertura tentar acertar a tonalidade original.

 

DSCN4708   A ideia casou muito bem, não foi feita igual a original, porém ficou até melhor! O tom muito próximo, levando em consideração que a pintura anterior em nitro, estava totalmente desbotada, fosca mesmo, e nessa usei o verniz PU o que realçou bem mais a cor. Na foto acima ainda sem o polimento, durante as demãos de verniz.

 

DSCN4757  Este foi o resultado final, tentando manter as cores originais, com um pouquinho de brilho, mas ficou bem próximo.

 

 

Quer construir, pintar, reformar, personalizar seu instrumento ? Aqui as possibilidades são infinitas, você manda e nós fazemos.

 

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Relic também é arte.

Muita gente no mundo das cordas é apaixonado pelos vintage. Instrumentos dos anos 50, 60, 70 e até 80 são bastante cobiçados por aí, principalmente por alguns serem raridades e outros pelo visual, além é claro da questão sonora, a secagem da madeira durante os anos faz com que o som gradativamente melhore. E o mais perto que conseguimos chegar desses instrumentos vintage é através do relic, mas o que é o relic ?
O relic consiste em desgastar o instrumento em pontos específicos, geralmente onde tem mais contato com o corpo do músico, batidas acidentais, marcas da correia, etc.

 

O relic jamais deve ser feito com o Pu e mesmo com o nitro, deve se tomar alguns cuidados, e não é somente maltratar o baixo e desgastar a pintura de forma desenfreada. Há grande nomes no mundos das cordas que são especialistas em relic, como pro exemplo o grande John Cruz, Masterbuilt da Fender Custom Shop, em que seus trabalhos valem verdadeiras fortunas. Há todo um processo no relic, e como visto acima não foi respeitado. O instrumento já havia tido uma tentativa de relic, com nitro inclusive, porém com camadas muito grossas e desgastes um pouquinho além do ponto.

 

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O corpo havia muitas batidas e marcas, algumas bem fundas. O corpo foi muito mal lixado anteriormente e estava totalmente desnivelado, torto mesmo. Tive muito trabalho com lixas pra deixar tudo certinho, além de ter que aplicar muita massa e finalizar com um fundo epóxi que é bem resistente e cria uma camada bem grossa, suficiente pra lixar e dar forma a um instrumento novo.

 

 

Tive que fazer uma pintura nova, deixando o baixo zerado ! E a cor fiesta red ficou tão bonita que deu pena de jogar o branco por cima para fazer o relic, era só polir e montar. Depois da pintura ainda tem o verniz nitro que amarela com o tempo, mas tenho minhas técnicas pra ele amarelar em 1 dia, além de todos os pontos específicos de desgaste pra deixar tudo como um verdadeiro vintage

 

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O baixo, um Giannini Stratosonic construído em meados dos anos 70/80 tem uma tocabilidade incrível, tive um anos 90 e foi o meu preferido em muitos dos baixos que já passaram pelas minhas mãos, entre instrumentos caros e baratos. Contou também com a elétrica de um EMG Hz Set com blend e captadores Bartolini. Ficou uma verdadeira máquina. Moderno no som com visual vintage !

 

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O relic, o vintage, o velho, é fetiche pra muita gente, questão de gosto, eu sei, mas é impossível não se apaixonar por um instrumento desses.  Um relic bem feito sem parecer artificial. Relic é Arte.

Giannini GIB WG5 Act

Desde que fiz a minha primeira guitarra, o que na verdade seria um protótipo da futura Mojohands Custom Guitars. Percebi que o tipo de acabamento escolhido pra essa “primeira” terminaria virando uma espécie de marca registrada. Fiquei totalmente satisfeito e quis fazer esse acabamento outra vezes em instrumentos meus e de clientes, e não deu outra, choveu pedidos na página e por email, e apesar de não postar aqui, foi o tipo acabamento que mais fiz.

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Recentemente apareceu um Bass aqui para reforma que vale muito a pena compartilhar aqui com vocês. Se trata de um Giannini GIB WG5 Act, cópia do Warwick Rockbass. uma das primeiras linhas feitas logo quando deixou de ser fabricado no Brasil e passou a ser fabricado na china e com madeiras boas.


Essa foi uma foto que o dono enviou, já que eu havia esquecido de fotografar antes.

No catálogo do site consta a data de 2001/2002  e as seguintes configurações:

Corpo :Ash
Braço :Maple
Escala :Rosewood
Marcação : White Dot
Trastes: 24 Jumbo
Ponte: Fixa
Captadores: 1 Humbucking
Controles:  1 Vol, 1 Tone, 1 Pan ( Push Pull )
Tarraxas: Blindadas
Ferragens douradas
O mais bacana de tudo é que na foto não aparece os detalhes da pintura translúcida. Mas assim que eu o peguei já tinha na cabeça ideia do que queria fazer, e o dono do baixo me deu a liberdade de escolher o acabamento.
Dessa vez estava tão animado com essa pintura que fiz até um video com alguns pequenos takes de todo o processo. Muita lixa, muita poeira, muita sujeira, verniz e muita diversão e carinho também.

Segue abaixo algumas fotos do instrumento pronto :

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O mais legal de tudo é que o corpo é todo inteiriço em Ash com um destalhes lindos por todo o corpo que só vendo pessoalmente pra sacar. Alguns desses detalhes aparecem no bem vídeo.

 

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E se você quer um acabamento desse tipo e dessa qualidade não pense duas vezes,  fale conosco por e-mail e passamos um orçamento para qualquer tipo de serviço.

Pintura contrabaixo Giannini Jazz Bass.

Mais uma vez a Giannini. Já me perguntaram algumas vezes se eu tenho algum vinculo com a marca, também já perguntaram se trabalho como autorizado da Giannini ou algum espécie de Endorser, esse último realmente não sabia o que estava falando. Simplesmente por que nos últimos anos criei um grande apreço pelos instrumentos Vintage nacionais e terminei me especializando neles. Como o pessoal me procura muito para reformas, por sorte a maioria deles são os Giannini, alguns verdadeiras raridades. Eu por exemplo tenho minha pequena coleção delas, entre baixo, guitarras e violões.
Saiu uma entrevista comigo no blog Colecionismo na coluna Amigo Strateiro,  do William Martins de Oliveira o maior colecionador de Stratocasters que conheço, um verdadeiro entendedor do assunto quando se fala em Stratocasters. Lá fala um pouco da minha última aquisição, também uma Giannini Fiesta Red periodo próximo das Southern Cross.

Sonic X séries é uma das recentes linhas da Giannini, de medados de 2010 pra cá, infelizmente não mais produzidas em terras tupiniquins. Foi trazido um Contrabaixo Jazz Bass branco dessa série pelo Erick Borges para ser pintado de preto.

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  Assim chegou o baixo, Branco, um pouco amarelado, mas bem cuidado, bem bonito.

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Primeira coisa a ser feita depois de desmontar tudo, lógico, é sempre lixar tudo por sorte essa não era daquelas camadas imensas de PU, dá trabalho sim, de qualquer forma, mas alguns menos do que outros.

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Infelizmente perdi algumas fotos após meu cartão de memória ficar ruim, mas segue a sequência de fotos do instrumento já finalizado.

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Detalhe do reflexo da antena, quase um espelho.

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O baixo ganhou um escudo novo feito sob medida pois o antigo como se vê na primeira foto não tinha as mesmas medidas do captador e ficaria muito tordo acertar as dimensões, nesse caso foi melhor fazer um novo.

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Reforma guitarra Giannini Supersonic

Todo mundo sonha ter uma guitarra especial, um modelo próprio só seu, fora de tudo igual que há no mercado hoje em dia, milhares e milhares de guitarras iguais, das mais baratas até as custom mais caras produzidas em série, serão iguais, lógico que uma de baixo custo não vai ser igual a uma Custom Shop em termos de qualidade, mas sim com um acabamento bem próximo, quase padronizado, talvez mesma madeira, hardware, captação etc. Sou muito procurado por que as pessoas vêem que aqui você pode customizar seu instrumento com o acabamento e som que quiser, aqui você pode. E nessas que o Enzo Mastrangelo guitar e vocal da banda The Black Witchesapareceu querendo dar uma customizada na sua Giannini Supersonic,.

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A guitarra já “Customizada” pelo mesmo chegou assim, um mix de amarelo e vermelho e tudo obviamente já trocado, caps, escudo, neckplate, os knobs e a ponte. O corpo assim que desmontei é o que parecia ser aquelas SS do anos 80, sendo que o braço é das mais atuais, meados de 2000 pra cá.

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Uma coisa que foi um grande problema foi a tinta usada antes, além de várias camadas bem grossas do que parece ser titna guache  ainda tinha o restante da cor original por baixo. Percebendo que não havia de forma alguma como lixar aquela coisa emborrachada resolvi jogar um pouco de thinner por cima e raspar, o que piorou mais a situação deixando a tinta como uma cola..

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Deu trabalho de verdade remover aquilo tudo, mas no final ficou tudo assim, limpo e bonito.

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 Muita gente perguntou como deixei a madeira assim, teve gente que chegou a não acreditar que era o mesmo corpo, a mágica toda está naquele vidro de xarope ali!

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 E o verniz puro já aplicado depois de todo o processo de polimento.

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Parece jacarandá, não?!

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Quer customizar sua guitarra ? Aqui você pode!

Reforma Giannini 12 Cordas 70’s

Já faz um tempo que só me aparece instrumentos antigos para reforma de todos os tipos,, e na maioria das vezes os Giannini, que sou apaixonado e não nego. Continuem mandando ! me sinto feliz de vocês confiarem no meu trabalho, para mim é sempre uma grande satisfação e um desafio novo. Luthieria é uma terapia incrível que me mantêm nos eixos, talvez pelo fato de exigir concentração e dedicação. Hoje ao som de Mungo Jerry – In The Summertime , começamos mais uma postagem.

O instrumento da vez é um Giannini 12 cordas 1970 1, esse aqui infelizmente não está catalogado no  site oficial da marca ou não consegui encontrar no meio dos muitos outros instrumentos que vão dos anos 50 até os dias de hoje , mas com um pouco de pesquisa na net descobri que o mesmo é dos anos 70, alguns dizem ser 78/78 e até 72 a 75.  a sigla que aparece  na foto (AWG) infelizmente não encontrei no site somente AWF e outras numerações. 1/3 talvez possa ter sido o primeiro de uma série de 3, uma edição limitada talvez, já que não  encontrei nenhum no tempo em que estive com ele aqui, imagino que seja o único, caso alguém encontrar mais um desse rolando por aí fale comigo! Estou muito afim de comprar um desse, as madeiras são ótimas e tem um timbre incrível e o mais legal de tudo como sempre digo é a história que o instrumento conta. E quem não sabe também tenho as minhas preciosidades por aqui, que com calma postarei aqui.

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Esse infelizmente sofreu uma queda e arrebentou todo, desde o tróculo até o headstock

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 Headstock foi quebrado em 3 partes, alguns pedaços que ficaram fora da foto.

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Braço, escala e tampo descolados. Triste !

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Primeira coisa a fazer foi colar o que parecia mais fácil, a paleta no headstock quebrado

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O braço e a escala precisavam ser  descolados e como a cola que usavam na época não é a mesma que algumas porcarias de hoje em dia, eram colas bem fortes, imagino que seja a famosa cola animal. O que me deu um certo trabalho pra remover.
” Quem não tem cão caça com gato !”

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Detalhes do braço depois de descolado. Como tinha quebrado com a queda, algumas lascas já estavam soltas e terminou saindo tudo e ficando essa cagada toda, mas isso não é problema.

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Depois de um tempo limpando a cagada e removendo a cola antiga hora de deixar na prensa por uns dias.

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Como tinha alguns pedaços de madeira faltando, tive que lixar e moldar mais ou menos o encaixe do braço com o head, o que se vê na foto é quase um vão de espaço vazio faltando no meio.

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E depois de tudo a mágica feita. Ficou uma leve cicatriz ali no canto quase que imperceptível, pois foi mantido o tom original do  instrumento sem usar nenhum tipo de tingidor para madeira, apenas o verniz incolor aplicado à mão a fim de deixar o mias natural possível.

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Instrumento pronto. Antes das cordas os trastes tiveram de ser retificados e polidos por causa do braço/escala removido, depois regulado com 6  cordas mesmo, preferência do dono!

Geral Giannini Supersonic 1978

O fato de ser apaixonado pelos instrumentos vintage e em principal as Giannini tem feito com que me apareçam muitas por aqui. Realmente tenho um carinho especial por elas, mas deixando claro que todos os instrumentos tem sempre o mesmo cuidado e tratamento especial que essa belezinha do post de hoje e outras que já passaram por aqui. Hoje ao som do disco Ray Barbee Meets the Mattson 2 , começamos mais uma postagem.

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Essa sem dúvidas é uma das guitarras pela qual sou apaixonado, trata-se de uma Giannini Supersonic de 1978, a mesma citada em outra postagem, na qual falo que o mestre Lanny Gordin usou para gravar dois dos maiores discos feitos aqui no Brasil, Fatal da Gal Costa e o Gal (psicodélico ) de 1969, entre outros com Caetano e Gil por exemplo
 É uma guitarra bem versátil podendo fazer até 7 tipo ligações, nos captadores. Ponte, meio, braço, ponte + meio, meio + braço, braço + ponte e os 3 caps ao mesmo tempo.  E isso te dá um leque de opções diferente de timbre, contando com dois potenciômetros de tone e um de volume, nas posições dos médios você pode utilizar um dos tones e deixar o outro aberto, ou variar. Coisa fina pra época, não ?!

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Tem gente que me pergunta como eu sei a precisão certa do ano em que as guitarras foram construídas, primeiro que já são anos trabalhando com isso, Luthieria em geral, e querendo ou não por gosto pessoal, me especializando nos Vintages. Fora que o próprio site da Giannini dispõe de um catálogo dos anos 50 até nos dias de hoje, a foto ao lado foi retirada do site, no qual data a guitarra entre 1978/1979. Logicamente a cor é diferente, mas o modelo é o mesmo. Infelizmente algumas não tinham número de série, assim como não tinha um padrão de construção, algumas guitarras eram verdadeiras preciosidades, e outras nem um pouco. Eu tive sorte de encontrar uma AE08 Stratosonic de 78 também toda original que me agrada bastante e agrada quem vem trazer seus instrumentos aqui e sempre pede pra tocar com ela.

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Essa por exemplo estava um pouco bem conservada, com o case original ainda. Só um pouco maltratada ao longo do tempo, altamente desregulada toda oxidada faltando um parafuso na ponte. E com esparadrapo, band aid, e um adesivo no escudo, e remover isso sem arranhar nada é uma tarefa bem chata, ainda mais uma cola que já está seca ali a anos.

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  Primeira coisa a fazer é desmontar tudo para limpeza geral, dar um check na elétrica, e o braço. Refiz algumas soldas e quis deixar tudo original, não quis trocar nada, limpei as trilhas dos pots e as chaves seletoras com álcool Isopropanol, depois disso separei peça por peça para remover as oxidações. O jack plate e a ponte estavam bastante oxidadas por exemplo.

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 Os trastes estavam nesse estado, nesse caso recomendo sempre trocar as cordas frequentemente, cordas oxidadas são ótimas para cavar esses sulcos nos trastes, e depois reclamam que pagam caro para trocar os trastes, às vezes o barato sai caro, economiza em corda, mas depois vai gastar mais com os trastes. Em alguns casos é possível sim fazer uma retífica nos trastes, mas em outros casos não dá pra salvar, esse felizmente deu. Foram todos retificados e polidos.

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   Os trastes depois de retificados/alinhados são todos polidos 1 a 1 para dar uma melhor acabamento e sonoridade, sim trastes limpos são importantes para uma melhor sonoridade.

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 Depois e tudo pronto os trastes ficaram assim, a guitarra já montada, trastes ok, foi a hora da regulagem geral.

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Com o case original, limpa, regulada, funcionando e pronta pra voltar pra casa e fazer seu dono feliz.