Mojohands Custom Guitars.

Mojo, palavra derivada do idioma Africano-Americano, onde se refere a um talismã de bruxaria também conhecido por alguns como os patuás. Esses sim muito utilizado por pessoas ligadas ao Candomblé. Mojo também é uma “gíria” muito usada no Blues que significa charme pessoal, sex-appel, carisma, libido, feeling  entre outras definições, que podemos encontrar por exemplo em diversas músicas dos grandes mestres do Blues como Muddy Waters em Got My Mojo Working “Got my mojo working, but it just won’t work on you“, ou Lightnin’ Hopkins em Mojo hand “I’m goin’ to Louisiana, and get me a mojo hand
I’m gonna fix my woman so she can’t have no other man“, entre outras milhares de músicas acerca desse folclore que envolve o Blues, existe até um dicionário com diversas gírias e seus significados.

Mojo Hand. um poderoso encanto hoodoo. Normalmente um saco de pano vermelho cheio com raízes, ervas, minerais, poeira, pequenos ossos de animais, pedras semi-preciosas, etc; usado por baixo das roupas ou nos bolsos. Também chamado de gris -gris .
Um Mojohand carrega uma alma, que irá trabalhar para um propósito, uma alma que precisa ser fortalecida e alimentada, um amuleto que funciona como um imã para o que lhe for intencionado, assim como o músico e seu instrumento. E é nessa concepção que, junto com meu amigo Paulo Roberto criamos a Mojohands Custom Guitars.

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Idealizada alguns anos atrás a guitarra número 001 agora saiu do papel e dá o start na marca que mesmo sendo feita de modo totalmente artesanal serão produzidas em série em breve e também por encomenda. Depois de muito planejamento, projeto, prototipagem, feedback de amigos músicos de longa estrada, erros e acertos, oficialmente a Mojohands Custom Guitars é lançada.

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Para nós cada instrumento é uma coisa única e insubstituível, quase como uma extensão do nosso corpo, como um amuleto de sorte carregado pelo músico. Sem esquecer também a qualidade e o visual fora dos padrões. Um instrumento único como o artista em si.

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Idealizar, escolher todas as especificações técnicas e acompanhar todo o processo do seu próximo instrumento é algo emocionante, e nós da Mojohands Custom Guitars faremos isso para você.

Precisa de inspiração ?
Confira a Mojohands Telecaster #5521001 abaixo para ter uma ideia do que podemos fazer por você.

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Corpo em Cedro (duas peças)
Top/radica em Olmo

Braço em Maple
Escala em Jacarandá
Trates Fender Vintage médios
Marcação da escala: 6mm madrepérola
Nut osso

Ponte Fender Vintage
Tarraxas Wilkinson EZ Lock
Captadores Fender Vintage Noiseless

Acabamento
– corpo PU Brilhante puro na madeira.
– braço Seladora

 

 

 

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Em breve a Mojohands contará com um site próprio com todos os preços, modelos, videos, reviews, fotos e tudo mais, fique ligado! Dúvidas e orçamentos na seção Fale Comigo.

 

 

 

Refinish Fender reissue 1962 

 Quando se fala em guitarras, um dos primeiros nomes que se vem à cabeça é a Fender. Uma das marcas mais cobiçadas do mercado musical. E isso não é à toa.  A marca criada por Leo Fender, acompanhou toda a evolução da música desde os anos 50 e teve uma grande influência em toda essa revolução musical, sempre visando a grande qualidade em seus instrumentos. Imortalizada por grandes mestres da música como Jimi Hendrix, David Gilmour, Blackmore, Clapton, entre outros. Até hoje sendo líder de mercado com uma produção em massa de milhares de guitarras por mês, com diversas variedades de cores, estilos, e valores. O que a faz a preferida da maioria dos músicos, logo não se torna difícil encontrar uma por aí!  Mas também não é sempre que se vê uma como essa do post de hoje. Se trata de uma Fender Stratocaster Reissue Made in Japan,  uma reedição; copia fiel de uma strat 1962, checando pelo número de serie vi que a guitarra é de 84-87 ou seja, Bem mais velha do que eu ! Para o espanto de muitos leitores do blog que acreditam que eu sou um senhor, nasci em 89.

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  A guitarra chegou nesse estado da foto. Veio toda desmontada e o dono, Paulo Servilhano, fez o capricho de separar parafuso por parafuso e enviar tudo embaladinho. Eu “montei” mesmo para tirar a foto. De cara percebe-se o estado da pintura de uma guitarra com mais de 20 e pouco anos de estrada, já toda craquelada e algumas partes descascando.

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  No entanto, o problema maior mesmo era esse, a escala descolando, as marcações da escala que algum momento deve ter soltado, e antes fora substituídas por uma massa branca, os trastes trocados de qualquer jeito por alguém. Dói até ver uma guitarra dessas nesse estado.

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A escala foi descolada e colada novamente para ficar mais segura, depois disso o raio da escala foi refeito e os trastes trocados, usei os Fender Vintage medium.

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Para ficar tudo ainda melhor além dos trastes, colocamos todo o hardware novo da Fender. Tarraxas Vintage, jack e jackplate, ponte Big Block e até as roldanas.

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  Close nos detalhes dos traste, escala e marcações.

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 Por último a parte mais demorada e talvez a mais complicada. Dependendo da guitarra, marca e tipo de acabamento é bem trabalhoso pra remover a pintura original. Essa apesar estar bem acabada, deu bastante trabalho pois o corpo havia algumas batidas e marcas onde foi usada muita lixa pra deixar tudo certinho e nivelado.

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Depois de um tempinho pesquisando consegui por um catálogo antigo da Fender, descobrir a cor original. Esse tom de vermelho é um Old Candy Aplle Red, muito bonito por sinal. O resultado final foi esse. E a guitarra ? Espetacular !

Stratocaster Red Paisley

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Paisley é um termo inglês para um design de origem cultural de países do Oriente. É amplamente famoso no Irã , Azerbaijão, Turquia e países próximos. Semelhante a uma lágrima torcida, o Paisley em forma de figo é de origem persa (ou seja iraniana), mas seu nome ocidental deriva da cidade de Paisley, a oeste da Escócia.
   Tornou-se muito popular no Ocidente nos séculos 18 e 19  no Irã e países da Ásia Central. É tecido com ouro ou fios de prata na seda ou outros produtos têxteis de alta qualidade para os presentes, para casamentos e ocasiões especiais. No Irã e Uzbequistão, o seu uso vai além de roupas,  pinturas, jóias, afrescos, cortinas, toalhas de mesa, colchas, tapetes, paisagismo do jardim, e cerâmica também.
   Paisley tornou-se referência no estilo psicodélico devido à sua popularidade dominante emergente que antecederam a época. De particular interesse é a influência dos Beatles. Consequentemente, o estilo era muito popular durante o Verão do Amor em 1967.
Aproveitando o gancho, a
 Fender fez uma versão rosa Paisley da sua guitarra Telecaster , no qual eram mais fáceis de aplicar o papel de parede Paisley sobre os corpos de guitarra e baixos. Essa tipo de acabamento foi introduzido em 1968 visando lucrar com o “Verão do amor” e clímax psicodélico, mantendo a produção por cerca de 3 anos.
James Burton, guitarrista do Elvis na época, ganhou uma da Fender que apesar de meio tímido em relação aquele rosa chamativo acabou usando. A guitarra acabou sendo associada a ele durante anos.

Fender Telecaster Paisley 1968

Como disse em outra postagem minha, sou muito fã de Telecaster , mesmo apesar de ter somente duas no meio de um monte de Stratocaster. Resolvi me aventurar e fazer algo especial em uma Tele que foi presenteada para um amigo. Uma versão mais moderna de uma Tele Paisley verde batizada como Green Onions. Visto que o resultado foi um sucesso, resolvi fazer o mesmo em uma Stratocaster, dessa vez vermelha!

 

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Vermelho Lúcifer. O vermelho mais perolizado que existe.

O mais bacana de tudo foi que esse vermelho casou tão bem com o vermelho do fundo que deu um contraste maravilhoso.

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Junto com o vermelho foi usado um verniz tingido pra dar um efeito translúcido e ficar ainda mais bonito!

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Suaves tons em degradê


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Red Devil Paisley

 

Green Onions Telecaster Custom

 Quem me conhece bem sabe como sou apaixonado por Telecaster, apesar de possuir apenas uma entre várias Stratocaster. O meu sonho de consumo aos 18 anos era uma Telecaster Sunburst, o segundo hoje em dia uma Fender Telecaster Pink Paisley 1968, mas como é uma guitarra muito cara custando em torno de $14k eu preferi fazer a minha versão.
Batizada como Green Onions, segue abaixo parte de como foi feito o projeto que eu mais tive orgulho de fazer até hoje.

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 Havia uma guitarra parada aqui em casa do amigo Paulo Roberto, e daí que surgiu a ideia. Não sabia como fazer, mas precisava fazer, quase como uma necessidade da alma.

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 A ideia que tive foi imprimir em uma gráfica em papel vinil adesivo uma imagem retirada do google em alta resolução com o tema Paisley. A principio a imagem era azul e foi imprimido esse verde, com os detalhes bem grandes era pra ser pequenos, mas por não saber enquadrar a imagem saiu assim, ok. Após colado no top abri as cavidades com um estilete e usei uma lixa fina nas bodas.

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 Outra coisa que me complicou no começo foi como fazer o efeito “burst ” nas laterais, pois tinha medo de errar a mão e estragar tudo, pensei até em fazer com a mão mesmo e não com o compressor, mas nunca conseguia a tonalidade desejada, até que encontrei uma lata velha que meu pai usou no carro dele alguns anos atrás. Um “Verde poliéster Taiti” lindo, caiu perfeitamente bem, o poliéster tem uns detalhes bem bonitos visto de perto como um Sparkle  (purpurina) bem leve.

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 Foi um projeto bastante demorado, e como sofro de ansiedade fiquei até uns dias sem dormir, o difícil era não divulgar antes da hora pra estragar a surpresa, a guitarra foi presente para um amigo que estava para fazer aniversário, terminei soltando algumas fotos no Instagram que deram a ideia do que estava por vir. Essa foi uma delas.

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 Logo depois das mãos do verde já dava pra ter uma breve noção de como ficaria, cada vez mais queria vê-la pronta, foi quando passei a não dormir direito.

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 Só mais alguns dias entre camadas de verniz lixas e tempo de secagem no fim valeu a pena esperar. O braço já estava todo envernizado daí foi só montar regular e babar.

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Confesso que essa foi projeto que mais gostei de fazer e o que mais me orgulho, ótimo começo pra 2016 e que venho pelo menos umas 20 ou 30 dessas esse ano.

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Customização: Texas Ford Prata.

 Customização de instrumentos é uma atividade bastante procurada pelos músicos nos dias de hoje. O fato de se ter diversas opções de cores, modelos, sonoridades, pegadas, e outras mil possibilidades de acordo com as suas necessidades, anima qualquer um. Afinal, quem não quer ter um instrumento único que é a sua cara ?!

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  Tenho me esforçado muito para conseguir os melhores resultados sempre e isso têm influenciado muito no meu trabalho, vejo que a cada dia chega guitarras e mais guitarras para serem customizadas por seus donos. Gabriel Oliveira foi uma deles e nos trouxe essa Squier Stratocaster.  Já antes pintada com uma vermelho fosco, e estava com algumas falhas e arranhões na pintura, então ele resolveu trocar.
A pintura com acabamento fosco normalmente é mais frágil, qualquer simples batida ou arranhão qualquer pode deixar marcas, sem contar que até o próprio suor pode a deixar manchada. Diferente do verniz PU (poliuretano) que uso hoje em dia, que protege bem a pintura, independente de camadas finas ou não, ele é bem resistente e dá ótimos resultados em acabamentos com alto brilho, quando bem aplicado.
A ideia inicial era era uma creme, quase um perolado. Mas como o fornecedor das tintas que uso fez a tinta errada; depois de algumas semanas na tentativa frustrada de misturar pigmentos e outras tintas para chegar ao ponto certo, combinamos de usar a tinta que me foi enviada. Texas Ford Prata.

DSCF2743  Primeira coisa a se fazer foi desmontar tudo e meter lixa. O problema maior  foi que pintaram o vermelho por cima da pintura original, estava bem grossa e deu um trabalhinho pra remover tudo.  Esses casos para evitar qualquer tipo de perda ou outras reclamações todo o restante das peças são guardadas no mesmo dia.

DSCF4897  Já não é a primeira vez que uso tinta poliéster, até então pouco procurada pelo pessoal, que escolhe sempre uma cor sólida. O poliéster tem uma tom mais metalizado com um tipo de Sparkle, e têm sido bem satisfatório os resultados que tenho conseguido por aqui.

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      O resultado da combinação do Poliéster com o PU é esse aí, brilho intenso e duradouro com proteção total sem comprometer a sonoridade.

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    Foto do corpo pronto após a pintura.

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           Sinceramente eu não havia gostado da cor inicialmente, cheguei a chamar de cor de cimento inclusive, mas nada que a mágica do verniz PU não resolva, e como muitas das guitarras que passam por aqui, depois de prontas eu termino ficando apaixonado por elas, e com essa não foi diferente.

DSCF4941                                         Nada que muito carinho e dedicação envolvido não possa fazer, o resultado esta aí.

Pintura contrabaixo Giannini Jazz Bass.

Mais uma vez a Giannini. Já me perguntaram algumas vezes se eu tenho algum vinculo com a marca, também já perguntaram se trabalho como autorizado da Giannini ou algum espécie de Endorser, esse último realmente não sabia o que estava falando. Simplesmente por que nos últimos anos criei um grande apreço pelos instrumentos Vintage nacionais e terminei me especializando neles. Como o pessoal me procura muito para reformas, por sorte a maioria deles são os Giannini, alguns verdadeiras raridades. Eu por exemplo tenho minha pequena coleção delas, entre baixo, guitarras e violões.
Saiu uma entrevista comigo no blog Colecionismo na coluna Amigo Strateiro,  do William Martins de Oliveira o maior colecionador de Stratocasters que conheço, um verdadeiro entendedor do assunto quando se fala em Stratocasters. Lá fala um pouco da minha última aquisição, também uma Giannini Fiesta Red periodo próximo das Southern Cross.

Sonic X séries é uma das recentes linhas da Giannini, de medados de 2010 pra cá, infelizmente não mais produzidas em terras tupiniquins. Foi trazido um Contrabaixo Jazz Bass branco dessa série pelo Erick Borges para ser pintado de preto.

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  Assim chegou o baixo, Branco, um pouco amarelado, mas bem cuidado, bem bonito.

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Primeira coisa a ser feita depois de desmontar tudo, lógico, é sempre lixar tudo por sorte essa não era daquelas camadas imensas de PU, dá trabalho sim, de qualquer forma, mas alguns menos do que outros.

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Infelizmente perdi algumas fotos após meu cartão de memória ficar ruim, mas segue a sequência de fotos do instrumento já finalizado.

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Detalhe do reflexo da antena, quase um espelho.

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O baixo ganhou um escudo novo feito sob medida pois o antigo como se vê na primeira foto não tinha as mesmas medidas do captador e ficaria muito tordo acertar as dimensões, nesse caso foi melhor fazer um novo.

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Lespaul de cara nova

9 de Junho de 1915. A 100 anos atrás nascia  Lester William Polfusou como conhecemos Lespaul, o cara que inventou um dos modelos de guitarras mais famosas do mundo, a Gibson Lespaul. Pioneiro no desenvolvimento de técnicas e instrumentos elétricos, foi considerado o 18º melhor guitarrista do mundo segundo a revista Rolling Stone. Também criador da gravação multi canal. Como trilha de hoje, Chet Atkins & Les Paul – Guitar Monsters

Hoje em dia, todo músico, independente de nível, sonha em ter um instrumento com a sua cara.
Existem hoje infinitas maneiras de customizar, seja em pintura, parte elétrica, hardware em geral, instalação de novos componentes e afins.
Desta vez chegou uma Lespaul aqui bem antiga e já bem trabalhada pra ganhar um visual novo. Trato fino.

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E ela chegou assim, tímida, com uma porrada de leve na lateral, parte elétrica completamente oxidada, trastes desnivelados, entre outros detalhes.

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Mesmo sendo uma pintura feita industrialmente, que a grande maioria acredita que deveria ser qualidade inferior, é assim que muita guitarra que recebo aparece com a pintura, algumas até pior, e mesmo sendo uma guitarra com uns 20 anos uma boa pintura resiste ao longo dos anos independente do clima, o que é um dos principais inimigos dos nossos instrumentos, não só em termos de pintura, mas de uma forma geral. Algumas pintura são tão grossas que chegam a descolar e ficarem como cascas que são facilmente retiradas.

lp3 Primeira coisa a se fazer foi desmontar tudo, e daí já surgiu um problema além das parte elétrica que teve que ser toda trocada. As 4 buchas da ponte pareciam estar colada, foram colocadas bem apertadas, ou provável com a tinta fresca, de qualquer forma não saiam e tiveram que ficar lá, deu um trabalhinho a mais por isso.

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     Depois de muita lixa, braço e corpo finalizados.

lp5  Dessa vez o acabamento foi somente com o verniz puro sobre a madeira.

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Verniz fino, sólido e consistente, daqueles que vai durar pelos próximos 20 anos ou mais sem estragar.

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finish.