Sobre fabriciosousaluthier

Viciado em música boa, apaixonado por Blues, Skatista de alma, leitor, jogador de Poker, e colecionador de guitarras.

Fender Mustang

Entre um café e outro é a hora que consigo ter tempo pra postar aqui, normalmente os dias têm sido bem corridos, mas estou sempre tentando registrar a maioria dos trabalhos para postar aqui, lembrando que não são todos que vem pra cá. Tento sempre selecionar os melhores como essa Fender Mustang Lindíssima que o Viktor nos trouxe. O cara toca numa banda cover de Nirvana e como bom fã quis transformar a dele pra deixar mais próxima possível do seu ídolo, Kurt Cobain.

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A guitarra certamente é bem especial, a começar pelo modelo incomum, a ponte que é uma delícia e principalmente os controles das chaves, no qual se resumem em Volume/Ganho, Tone, e seleção de série/paralelo ou fora de fase. Introduzida em 1964 como linha estudante, composto pela Musicmaster e Duo-Sonic. Produzida até 1982 e re-introduzida nos anos 90, ganhou status de cult graças ao seu uso por Kurt Cobain do Nirvana. Tem o maior valor colecionável entre as guitarras de escala curta da Fender.

 

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O que mais me chamou atenção além dos detalhes do corpo e configuração da elétrica é o braço de escala curta entre 22,5 ou 24 polegadas, mais curto que numa Stratocaster. O raio da escala de 7.25″ (184.1 mm), de longe o meu preferido. Só faltava o shape em soft V, o que torna a pegada incrível. É lógico que isso é questão de gosto e varia de acordo com o que você toca. Quem gosta de Ibanez, que o raio vai de 12″ a 18″, certamente vai estanhar.

 

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Agora chega de falar e mãos à obra. Uma das partes mais legais é essa, acreditem ! Por sorte essa foi fácil de remover, parecia nitrocelulose só que bem acabado, diferente das Gibson tribute por exemplo.

 

Fender Mustang

Foto da guitarra já pronta que saiu daqui blindada e regulada direto pro embarque para um show em SP em grande estilo e  novo visual !

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Pintura Fender Mark Knopfler

Ao longo dos meus 7 anos trabalhando como Luthier nunca imaginei que com o tempo a parte de pintura e customização seria a mais legal pra mim e mais procurada pelos clientes. Ter a opção de deixar um instrumento com a sua cara é realmente bem legal. Porém tenho percebido que essa procura tem aumentado bastante aqui, visto a falta desse mercado no RJ.

Foi assim que o Victor nos encontrou simplesmente pesquisando no Google. Ele tinha uma Fender Stratocaster made in usa construída na principal fábrica da Fender em Corona; Toda preta, os caps brancos, e chave seletora e knobs brancos, idêntica a do Gilmour, mas ele queria mesmo igual a do Mark Knopfler do Dire Straits

 

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Sinceramente é uma guitarra bem bonita, nessas configurações de preto e branco. Percebi que havia algumas tentativas de relic, já que estava um tanto arranhada propositalmente, parecia feito com palha de aço.

 

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Todo mundo compra Fender achando que o corpo vai ser assim, inteiriço ou no mínimo como essa, duas peças muitíssimas bem selecionadas e coladas, ou seja, coisa finíssima. Mas não, já peguei Fender de até 5 peças e o preço era absurdo, então antes de que falem que ” Ah mas guitarra tal tem tem várias peças e não presta”; ta aí um exemplo de uma boa peça bem selecionada e como deveria realmente ser.
Outro dia conversando com um rapaz de SP ele disse que o “Luthier” dele comentou sobre pintar por cima da pintura antiga, mas isso não existe ! O corpo deve ser bem lixado, corretamente pra uma acabamento limpo, bonito e bem feito.

 

 

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O ideia principal era chegar na cor idêntica a Stratocaster do Mark Knopfler, e em quase 1 semana de pesquisa, não conseguimos encontrar a tonalidade certa, algumas fotos parecia um Castilian red, Fiesta red, Dakota red, Torch red, entre outras. Fui na loja e pedi uma tinta vermelha, abri a lata na hora, vi a cor e me apaixonei. Em casa mandei a foto pra ele e o mesmo confirmou, “é essa cor que eu quero!”

 

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Vale destacar que o polimento foi totalmente feito sobre a tinta, sem verniz nenhum. Ou seja, o resultado foi esse. Limpo, sólido, brilhante.

 

DSCN2815 O escudo que antes era preto, também foi trocado pelo branco pra ficar  igual a do Mark…Será que o mesmo aprovaria, e vocês o que acharam ? Opinem, participem deem  sugestões, o blog é nosso, é para todos !  Abaixo um pequeno teaser sobre todo o processo em video.

Troca de tensor Baixo DeOliveira

Não é sempre que alguém percorre algo em torno de 700km por conta do meu trabalho. Já recebi alguns instrumentos de outros estados. Mas a pessoa sair de Minas para o Rio de Janeiro, mais precisamente Santo André, ir para rodoviária de BH e viajar por 10h para fazer um trabalho comigo é algo muito satisfatório para mim.
O Gustavo, havia comprado esse DeOliveira e mandou regular com um Luthier da região, me disse que mal havia tocado com o baixo pois já veio desregulado, e que até então estava tudo certo. Ao voltar da regulagem descobriu que a pessoa que fez a regulagem, conseguiu quebrar o tensor.

 

DSCF9708 Além do baixo, também havia uma guitarra, para fazer uma nova pintura e dar uma geral na elétrica, portanto preferiu enviar pela transportadora e vir buscar quando estivesse pronto.  Não pude deixar de perceber o carinho que teve ao embalar tudo antes enviar e mesmo que esteja no seguro é sempre bom prevenir.

DSCF9710 Ao desembalar fiquei de cara encantado. É um instrumento muito bonito, bastante chamativo até, pelo acabamento na madeira com esse top em piopo e as ferragens douradas, aparentemente novo.
Peguei, conferi que realmente um dos tensores estava quebrado pois a chave girava totalmente solta, e além disso o outro estava totalmente espanado. É uma pena pois um instrumento desse é bem caro e tem um certo valor sentimental, até por ser um instrumento diferenciado.

 

DSCN2087   Entrei em contato com o Luthier Rafael Gomes, que é pra mim é um dos profissionais que mais admiro dentro da área e realiza um trabalho com muito primor. Perguntei a ele qual seria a melhor forma de remover essa escala, o mesmo foi muito atencioso e me deu dicas bem valiosas. Já havia feito este mesmo tipo de trabalho em instrumentos mais simples, não menos complicados, mas esse além do braço colado junto ao corpo, havia litros de um verniz bem grosso por cima de todo o instrumento, principalmente nos cantos do braço e da escala. Onde tudo foi refeito depois.

 

DSCN2394 Tensor removido, hora de limpar as cavidades para encaixar os novos tensores, em inox dessa vez!

 

DSCN2590 Depois de todo o baixo pronto, a escala já colada, o verniz já refeito, trastes, encordoamento Ernie Ball, e regulado, foi a hora do Gustavo vir buscar o baixo. Fui buscá-lo na rodoviária no sábado 8/07 e voltou no mesmo dia pela noite. Passamos o dia inteiro aqui em casa fazendo alguns pequenos ajustes na regulagem, e por vontade do mesmo removemos a capa do captador feita em madeira, além da instalação de um Roland GK-3b

 

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Passamos o dia conversando, tocando, falando sobre música em geral, ouvindo muita música boa, rimos, nos divertimos, comemos, bebemos. De 6 da manhã às 20h da noite rolou muita ideia boa, o Gustavo é um músico de mão cheia e além de tudo é humilde e bastante educado. No fim do dia me despedi com a consciência de que todo esse trabalho que eu tenho feito em 7 anos não têm sido em vão.

Jaguar custom

Em 2010 iniciei meus estudos na arte de Luthieria, confesso que muita coisa aprendi sozinho, pesquisando, errando e acertando e desenvolvendo o que eu já sabia.  O espírito do “faça você mesmo” sempre esteve comigo nessa trajetória. Já me meti a fazer muita coisa que não sabia, mas antes de dar o primeiro passo fuçava toda a internet; fóruns, comunidades, tirava dúvidas com amigos, passava noites sem dormir (ainda passo), estudava a coisa à fundo mesmo. Hoje em dia o que mais tenho recebido são instrumentos para reformas em geral, pinturas, customizações, etc. Mas em grande maioria somente pintura, acredito que haja poucos profissionais que procuram se especializar somente nessa area aqui no Rio de Janeiro. Muitos desses instrumentos já foram pintados por outros, às vezes pelo o dono. Acho normal ter essa curiosidade e essa vontade de mudar e deixar o instrumento ao seu gosto, mas muitas vezes resolvem fazer sozinho, como foi nesse caso aqui.

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Um corpo pré usinado em Freijó e pintura seria algo semelhante a um acabamento que fazemos muito aqui e se tornou especialidade da casa. O acabamento consiste em tingir direto na madeira e verniz puro por cima, somente. Esse mesmo acabamento já passou por aqui duas vezes.

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Por um lado, pra quem gosta de relic fica até legal, algo meio Sonic Youth. Só que para o que deveria realmente ser, não chegou nem próximo. Pois o corpo pré usinado comprado na internet vem bem grosseiro e precisa ser feito todo um acabamento antes de qualquer pintura. Vemos na foto marcas da cnc, os veios da madeira, além de buracos que havia por todo o corpo.

 

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Antes de qualquer tipo de acabamento em madeira, o corpo deve ser lixado totalmente, a ponto de não ficar nenhuma marca de lixa, e totalmente liso, pois isso ajuda bastante no acabamento final, mesmo que seja em uma cor escura. O verniz sempre realça qualquer marca.

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O acabamento que o dono da guitarra queria inicialmente era esse.

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Detalhe da nova pintura feita por nós. Sem marcas, sem manchas limpo, liso e com brilho.

 

DSCN2007Além de tudo foi trocado o captador da ponte, instalado potenciometros Cts de 500k e toda a fiação trocada por fios de pano vintage. Uma pena não termos mexido no escudo também.  Esse é o resultado final, pronta pra voltar pra casa.

Refinish PRS Blue fade.

Uma lindíssima guitarra modelo PRS fabricada pelo luthier Wagner Peixoto de Curitiba para o Everton Cesar, músico do grupo Molejo.  Guitarra bem construída, elétrica em perfeito estado, blindada e aterrada como se deve, com acabamento anterior em verniz nitro na parte de trás e PU (poliuretano) na frente, porém, mesmo assim sem vida, tenho certeza que não foi por descuido do dono, mas originalmente o acabamento era aquele mesmo.

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 Vemos que a proposta  do “faded” não rolou mesmo, e parece apenas duas cores bem divididas, além de bem desbotadas, sem vida mesmo. E uma guitarra dessas merecia um acabamento especial que vocês podem conferir no vídeo do processo abaixo.

 

Segue abaixo algumas fotos tiradas durante o processo.

 

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Um ponto importante é na hora de lixar o top, pois se não tomar cuidado pode deformar e tirar alguns detalhes que são parte do charme desse modelo. Mas isso a gente faz bem.

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Depois de removido todo o resíduo da tinta anterior, essa foi uma das partes mais legais, poder ter uma breve noção de como ficaria o top tingido da forma correta. Só deixava a gente mais ansioso, já que a cor ia realçar bem mais com o verniz.

 

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Vejamos aqui por exemplo, nas primeiras mãos de verniz, como a cor realçou totalmente comparada com a foto anterior. Um bom verniz e bem aplicado faz mágica!

 

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Detalhes após o polimento.

 

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Agora sim, digna de uma PRS de verdade.

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Se você também quer pintar, customizar, reformar, e até mesmo construir uma guitarra conosco, mande um email para nós!

Refinish Gibson Lespaul

 Caros amigos, cá estou eu novamente  com um dos trabalhos mais legais  postado aqui no blog, que de tão legal mereceu até um vídeo de todo o processo!
Pontapé inicial pro ano de 2017. Já que rola aquele Delay de leve até o Carnaval, e só depois realmente o ano parece começar. Feliz 2017 folks.

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Uma boa Gibson é objeto de desejo para grande maioria dos guitarristas. Ao longo dos anos ela escreve sua história no mundo da música com grandes e importantes nomes. Essa belezinha aqui por exemplo é uma Gibson Les Paul Tribute 50 fabricada em 2011 no Tennessee, USA.
Toda em Mogno (corpo / braço), escala em rosewood e o top em hardmaple, chegou aqui para um refinish. O dono da guitarra, Marcus Fraga da banda Evil Inside  não gostava muito desse acabamento preto em nitrocelulose, que além de ser frágil, era bem poroso, sinceramente eu já havia visto acabamentos melhores com nitro em outras guitarras. Mas acredito que seja pelo “tribute 50”.

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A ideia principal era um 3 tone sunburst, daqueles bem classicão mesmo mas dependíamos, antes de tudo, saber como era o top, e após bastante lixa o resultado foi esse. Um hardmaple bem bonito, porém não foi suficiente para o que queríamos. Eu sei que vocês vão querer me crucificar por ter perdido esse top bonito, mas eu também não queria ter perdido.
O hardmaple é bem difícil pra pegar os tingidores que seriam usados, ou os que tenho aqui disponível. A ideia realçar os veios da madeira não rolou pois o harmaple é bem sólido, a ponto do tingidor não penetrar na madeira como queríamos. Eu poderia fazer o sunburst por cima mas ficaria muito artificial e a ideia era fazer com stain. Optamos então para um Clássico Goldtop! que você acompanha todo o processo no video a seguir:

Segue abaixo algumas fotos registradas durante e depois.

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Detalhes do acabamento em PU logo após o polimento antes da montagem da guitarra.

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Aproveitamos o próprio maple do top para transformá-lo no friso e dar um charme a mais na guitarra.

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 Quer pintar, reformar ou customizar seu instrumento de alguma forma que ele seja único ? Envie um email pra gente!

Refinish Fender Lonestar

Queridos amigos que acompanham o blog, estou de volta ! Depois de alguns meses sem dar as caras por aqui por conta de muito trabalho. Hoje porém posso dizer que estou um pouco mais livre e posso tocar alguns projetos bem bacanas pra frente, inclusive a Mojohands, tem uma postagem sobre ela aqui no blog.
Posso afirmar que está vindo bastante coisa legal por aí!

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A guitarra de hoje é uma Fender Lonestar Americana belíssima, na cor creme. Inteira, bem cuidada e bem bonita. Foram feitas algumas modificações antes por algum outro Luthier . Captadores trocados, tarraxas Fender com trava, ponte nova e um hipshot tremsetter na parte traseira da ponte. Que havia sido instalado errado e foi corrigido por mim depois.

 

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Pra quem não sabe o Hipshot é um estabilizador da ponte, ideal pra quem usa muito a alavanca, seja lá em uma Floyd Rose, uma semi flutuante ou até (por que não?!) numa ponte fixa como nas strats. Ele consiste nessa mola que é comumente instalada no meio da ponte e pode ser regulada de acordo com a sua necessidade. No caso da lonestar é uma ponte semi-flutuante, que é sustentada por dois pivôs e permite alavancar para amos os lados.

 Vantagens:
– Mantém a afinação perfeita quando se usa a técnica do Palm Muting
– Permite Bends sem desafinar as demais cordas
– Mantém a ponte mais estável permitindo maior sustain
– Permite dropar a afinação da 6ª corda (E) para Ré (D) sem desafinar as demais
– Por estabilizar a ponte, permite reafinação após trocas de cordas mais facilmente
– Permite Afrouxar e Esticar as cordas com a alavanca normalmente
– Dependendo da regulagem de pressão das molas permite até que se mantenha a afinação após a quebra de uma corda

Além de tudo, o mais legal. Uma cor nova.

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Sempre que pegamos qualquer instrumento ficamos curioso por saber como é a madeira por baixo, se é maciça, se tem emendas, se tem um desenho bonito, se tem buracos ou massa, etc. Isso tudo mostra o capricho final de uma grande marca como a Fender. Então por mais que seja trabalhoso, essa é uma das partes mais animadas do processo.

 

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A ideia principal era um sunburst em 3 tons, daqueles bem clássicão memo.
Só que infelizmente a madeira não ajudou tanto. Afinal, dependíamos de saber como era o top e se iria ficar bacana. A verdade é a seguinte, como se pode ver na foto, a guitarra foi feita em vários pedaços colados e por cima uma folha de madeira que até disfarça bem…até chegar no rebaixo do encaixe do braço (existe alguma palavra pra isso ?) onde não tem como esconder.
Logo como o sunburst é translúcido no meio, não iria ficar legal, não existe burst que disfarce esse tipo de  emenda.
PS: Soa um tanto anti ético tocar nesse assunto assim, mas serve pra muita gente que acredita que por estar comprando uma americana, está levando uma guitarra de peça única, maciça e sem emendas, ta aí.

 

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Então optamos pelo Shoreline gold, também usada na mesma linha da Lonestar.

 

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Sinceramente, essa foi a primeira vez que tive que fazer essa cor, que foi bem difícil por sinal Pra acertar a tonalidade é um pouco chato. Mas também foi a cor mais bonita que já saiu de minhas mãos, eu mesmo fiquei encantado com o resultado e com certeza farei em alguma guitarra Mojohands em breve, que terá somente cores customizadas.

 

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Sempre faço diversos testes de tocabilidade na guitarra antes de entregar, e nessa o conjunto tarraxas com trava, ponte e hipshot, ficaram perfeitamente regulados. A guitarra não desafina por nada. Dive bomb é besteira!