Jaguar custom

Em 2010 iniciei meus estudos na arte de Luthieria, confesso que muita coisa aprendi sozinho, pesquisando, errando e acertando e desenvolvendo o que eu já sabia.  O espírito do “faça você mesmo” sempre esteve comigo nessa trajetória. Já me meti a fazer muita coisa que não sabia, mas antes de dar o primeiro passo fuçava toda a internet; fóruns, comunidades, tirava dúvidas com amigos, passava noites sem dormir (ainda passo), estudava a coisa à fundo mesmo. Hoje em dia o que mais tenho recebido são instrumentos para reformas em geral, pinturas, customizações, etc. Mas em grande maioria somente pintura, acredito que haja poucos profissionais que procuram se especializar somente nessa area aqui no Rio de Janeiro. Muitos desses instrumentos já foram pintados por outros, às vezes pelo o dono. Acho normal ter essa curiosidade e essa vontade de mudar e deixar o instrumento ao seu gosto, mas muitas vezes resolvem fazer sozinho, como foi nesse caso aqui.

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Um corpo pré usinado em Freijó e pintura seria algo semelhante a um acabamento que fazemos muito aqui e se tornou especialidade da casa. O acabamento consiste em tingir direto na madeira e verniz puro por cima, somente. Esse mesmo acabamento já passou por aqui duas vezes.

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Por um lado, pra quem gosta de relic fica até legal, algo meio Sonic Youth. Só que para o que deveria realmente ser, não chegou nem próximo. Pois o corpo pré usinado comprado na internet vem bem grosseiro e precisa ser feito todo um acabamento antes de qualquer pintura. Vemos na foto marcas da cnc, os veios da madeira, além de buracos que havia por todo o corpo.

 

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Antes de qualquer tipo de acabamento em madeira, o corpo deve ser lixado totalmente, a ponto de não ficar nenhuma marca de lixa, e totalmente liso, pois isso ajuda bastante no acabamento final, mesmo que seja em uma cor escura. O verniz sempre realça qualquer marca.

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O acabamento que o dono da guitarra queria inicialmente era esse.

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Detalhe da nova pintura feita por nós. Sem marcas, sem manchas limpo, liso e com brilho.

 

DSCN2007Além de tudo foi trocado o captador da ponte, instalado potenciometros Cts de 500k e toda a fiação trocada por fios de pano vintage. Uma pena não termos mexido no escudo também.  Esse é o resultado final, pronta pra voltar pra casa.

Refinish PRS Blue fade.

Uma lindíssima guitarra modelo PRS fabricada pelo luthier Wagner Peixoto de Curitiba para o Everton Cesar, músico do grupo Molejo.  Guitarra bem construída, elétrica em perfeito estado, blindada e aterrada como se deve, com acabamento anterior em verniz nitro na parte de trás e PU (poliuretano) na frente, porém, mesmo assim sem vida, tenho certeza que não foi por descuido do dono, mas originalmente o acabamento era aquele mesmo.

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 Vemos que a proposta  do “faded” não rolou mesmo, e parece apenas duas cores bem divididas, além de bem desbotadas, sem vida mesmo. E uma guitarra dessas merecia um acabamento especial que vocês podem conferir no vídeo do processo abaixo.

 

Segue abaixo algumas fotos tiradas durante o processo.

 

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Um ponto importante é na hora de lixar o top, pois se não tomar cuidado pode deformar e tirar alguns detalhes que são parte do charme desse modelo. Mas isso a gente faz bem.

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Depois de removido todo o resíduo da tinta anterior, essa foi uma das partes mais legais, poder ter uma breve noção de como ficaria o top tingido da forma correta. Só deixava a gente mais ansioso, já que a cor ia realçar bem mais com o verniz.

 

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Vejamos aqui por exemplo, nas primeiras mãos de verniz, como a cor realçou totalmente comparada com a foto anterior. Um bom verniz e bem aplicado faz mágica!

 

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Detalhes após o polimento.

 

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Agora sim, digna de uma PRS de verdade.

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Se você também quer pintar, customizar, reformar, e até mesmo construir uma guitarra conosco, mande um email para nós!

Refinish Gibson Lespaul

 Caros amigos, cá estou eu novamente  com um dos trabalhos mais legais  postado aqui no blog, que de tão legal mereceu até um vídeo de todo o processo!
Pontapé inicial pro ano de 2017. Já que rola aquele Delay de leve até o Carnaval, e só depois realmente o ano parece começar. Feliz 2017 folks.

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Uma boa Gibson é objeto de desejo para grande maioria dos guitarristas. Ao longo dos anos ela escreve sua história no mundo da música com grandes e importantes nomes. Essa belezinha aqui por exemplo é uma Gibson Les Paul Tribute 50 fabricada em 2011 no Tennessee, USA.
Toda em Mogno (corpo / braço), escala em rosewood e o top em hardmaple, chegou aqui para um refinish. O dono da guitarra, Marcus Fraga da banda Evil Inside  não gostava muito desse acabamento preto em nitrocelulose, que além de ser frágil, era bem poroso, sinceramente eu já havia visto acabamentos melhores com nitro em outras guitarras. Mas acredito que seja pelo “tribute 50”.

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A ideia principal era um 3 tone sunburst, daqueles bem classicão mesmo mas dependíamos, antes de tudo, saber como era o top, e após bastante lixa o resultado foi esse. Um hardmaple bem bonito, porém não foi suficiente para o que queríamos. Eu sei que vocês vão querer me crucificar por ter perdido esse top bonito, mas eu também não queria ter perdido.
O hardmaple é bem difícil pra pegar os tingidores que seriam usados, ou os que tenho aqui disponível. A ideia realçar os veios da madeira não rolou pois o harmaple é bem sólido, a ponto do tingidor não penetrar na madeira como queríamos. Eu poderia fazer o sunburst por cima mas ficaria muito artificial e a ideia era fazer com stain. Optamos então para um Clássico Goldtop! que você acompanha todo o processo no video a seguir:

Segue abaixo algumas fotos registradas durante e depois.

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Detalhes do acabamento em PU logo após o polimento antes da montagem da guitarra.

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Aproveitamos o próprio maple do top para transformá-lo no friso e dar um charme a mais na guitarra.

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 Quer pintar, reformar ou customizar seu instrumento de alguma forma que ele seja único ? Envie um email pra gente!

Refinish Fender Lonestar

Queridos amigos que acompanham o blog, estou de volta ! Depois de alguns meses sem dar as caras por aqui por conta de muito trabalho. Hoje porém posso dizer que estou um pouco mais livre e posso tocar alguns projetos bem bacanas pra frente, inclusive a Mojohands, tem uma postagem sobre ela aqui no blog.
Posso afirmar que está vindo bastante coisa legal por aí!

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A guitarra de hoje é uma Fender Lonestar Americana belíssima, na cor creme. Inteira, bem cuidada e bem bonita. Foram feitas algumas modificações antes por algum outro Luthier . Captadores trocados, tarraxas Fender com trava, ponte nova e um hipshot tremsetter na parte traseira da ponte. Que havia sido instalado errado e foi corrigido por mim depois.

 

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Pra quem não sabe o Hipshot é um estabilizador da ponte, ideal pra quem usa muito a alavanca, seja lá em uma Floyd Rose, uma semi flutuante ou até (por que não?!) numa ponte fixa como nas strats. Ele consiste nessa mola que é comumente instalada no meio da ponte e pode ser regulada de acordo com a sua necessidade. No caso da lonestar é uma ponte semi-flutuante, que é sustentada por dois pivôs e permite alavancar para amos os lados.

 Vantagens:
– Mantém a afinação perfeita quando se usa a técnica do Palm Muting
– Permite Bends sem desafinar as demais cordas
– Mantém a ponte mais estável permitindo maior sustain
– Permite dropar a afinação da 6ª corda (E) para Ré (D) sem desafinar as demais
– Por estabilizar a ponte, permite reafinação após trocas de cordas mais facilmente
– Permite Afrouxar e Esticar as cordas com a alavanca normalmente
– Dependendo da regulagem de pressão das molas permite até que se mantenha a afinação após a quebra de uma corda

Além de tudo, o mais legal. Uma cor nova.

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Sempre que pegamos qualquer instrumento ficamos curioso por saber como é a madeira por baixo, se é maciça, se tem emendas, se tem um desenho bonito, se tem buracos ou massa, etc. Isso tudo mostra o capricho final de uma grande marca como a Fender. Então por mais que seja trabalhoso, essa é uma das partes mais animadas do processo.

 

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A ideia principal era um sunburst em 3 tons, daqueles bem clássicão memo.
Só que infelizmente a madeira não ajudou tanto. Afinal, dependíamos de saber como era o top e se iria ficar bacana. A verdade é a seguinte, como se pode ver na foto, a guitarra foi feita em vários pedaços colados e por cima uma folha de madeira que até disfarça bem…até chegar no rebaixo do encaixe do braço (existe alguma palavra pra isso ?) onde não tem como esconder.
Logo como o sunburst é translúcido no meio, não iria ficar legal, não existe burst que disfarce esse tipo de  emenda.
PS: Soa um tanto anti ético tocar nesse assunto assim, mas serve pra muita gente que acredita que por estar comprando uma americana, está levando uma guitarra de peça única, maciça e sem emendas, ta aí.

 

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Então optamos pelo Shoreline gold, também usada na mesma linha da Lonestar.

 

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Sinceramente, essa foi a primeira vez que tive que fazer essa cor, que foi bem difícil por sinal Pra acertar a tonalidade é um pouco chato. Mas também foi a cor mais bonita que já saiu de minhas mãos, eu mesmo fiquei encantado com o resultado e com certeza farei em alguma guitarra Mojohands em breve, que terá somente cores customizadas.

 

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Sempre faço diversos testes de tocabilidade na guitarra antes de entregar, e nessa o conjunto tarraxas com trava, ponte e hipshot, ficaram perfeitamente regulados. A guitarra não desafina por nada. Dive bomb é besteira!

Giannini GIB WG5 Act

Desde que fiz a minha primeira guitarra, o que na verdade seria um protótipo da futura Mojohands Custom Guitars. Percebi que o tipo de acabamento escolhido pra essa “primeira” terminaria virando uma espécie de marca registrada. Fiquei totalmente satisfeito e quis fazer esse acabamento outra vezes em instrumentos meus e de clientes, e não deu outra, choveu pedidos na página e por email, e apesar de não postar aqui, foi o tipo acabamento que mais fiz.

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Recentemente apareceu um Bass aqui para reforma que vale muito a pena compartilhar aqui com vocês. Se trata de um Giannini GIB WG5 Act, cópia do Warwick Rockbass. uma das primeiras linhas feitas logo quando deixou de ser fabricado no Brasil e passou a ser fabricado na china e com madeiras boas.


Essa foi uma foto que o dono enviou, já que eu havia esquecido de fotografar antes.

No catálogo do site consta a data de 2001/2002  e as seguintes configurações:

Corpo :Ash
Braço :Maple
Escala :Rosewood
Marcação : White Dot
Trastes: 24 Jumbo
Ponte: Fixa
Captadores: 1 Humbucking
Controles:  1 Vol, 1 Tone, 1 Pan ( Push Pull )
Tarraxas: Blindadas
Ferragens douradas
O mais bacana de tudo é que na foto não aparece os detalhes da pintura translúcida. Mas assim que eu o peguei já tinha na cabeça ideia do que queria fazer, e o dono do baixo me deu a liberdade de escolher o acabamento.
Dessa vez estava tão animado com essa pintura que fiz até um video com alguns pequenos takes de todo o processo. Muita lixa, muita poeira, muita sujeira, verniz e muita diversão e carinho também.

Segue abaixo algumas fotos do instrumento pronto :

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O mais legal de tudo é que o corpo é todo inteiriço em Ash com um destalhes lindos por todo o corpo que só vendo pessoalmente pra sacar. Alguns desses detalhes aparecem no bem vídeo.

 

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E se você quer um acabamento desse tipo e dessa qualidade não pense duas vezes,  fale conosco por e-mail e passamos um orçamento para qualquer tipo de serviço.

N.Zaganin Makeover

Pintura e customização em geral se tornou a principal atividade aqui. Inclusive fico feliz por isso, sinceramente é o que mais gosto de fazer. O resultado sempre tão satisfatório que dá cada vez mais gosto de ver um instrumento pronto e o cliente também satisfeito por ter um instrumento que é a sua cara. E apesar de sentir um pouco de falta de quando no começo eram somente regulagens e pequenos reparos. Hoje ver que a coisa hoje em dia cresceu bastante, e eu tendo que deixar um pouco de lado alguns projetos pessoais.  Aproveito pra deixar claro aqui que pretendo entrar de “férias” para tocar algumas coisas minhas pra frente, assim que terminar essa remessa de instrumentos.

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A guitarra de hoje é uma N.Zaganin  do Carlos Oliveira. Que depois de alguns emails trocados, mensagens na página chegamos a uma ideia sobre o tom de azul que ele queria, que passou de um Oriental Burst para um Metálico e depois um Sparkle !

 

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Apesar de saber que é uma pintura, totalmente complicada de ser fazer, resolvi encarar, e depois de muita, mas muita paciência mesmo cheguei a um resultado totalmente satisfatório para ambos.

 

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Depois de alguns dias de estudo e testes, o resultado inicial foi esse. Mesclado com a cor do fundo o Sparkle ficou realmente lindo, mas ainda não era suficiente. Precisou de mais algumas milhares de outras demãos até chegar no ponto perfeito.

 

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Realmente é uma pena não ter uma câmera tão boa na qual consiga pegar todos os detalhes da pintura. Acreditem é muito mais bonito do que isso, muito brilho! acabamento totalmente “Gloss”.

 

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 Foto tirada durante o polimento.

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  A montagem e regulagem final ficou por conta do dono que alguns dias depois me mandou essa foto por whatsapp com a seguinte mensagem ” Para você se orgulhar do seu trabalho. O pessoal aqui disse que só de olhar já dá som.”

Headstock quebrado tem jeito ?

Quando comecei a me aventurar no mundo da Luteria, entre 2011 e 2012 eu realmente não imaginava o que viria pela frente. O fato de estar ligado diretamente com a música, em contato constante com diversos tipos de músicos era algo fascinante para o moleque que eu era na época, não que seja diferente nos dias de hoje, mas hoje posso dizer que eu vivo o que eu sonhava anos atrás. Em toda essa trajetória me deparei inúmeras vezes com um problema que poderia vir a ser uma das maiores dores de cabeça; o Headstock  quebrado.

 

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Sinceramente perdi as contas das inúmeras vezes em que peguei reparos como esse, o detalhe é que me lembro somente de uma Strato. Geralmente esse tipo de problema ocorre mais com Headstock angulado, pelo tipo de corte ou por alguma colagem mal feita como costumamos ver muito no tipo de corte feito pelas Ibanez e principalmente pela Gibson.

 

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Exemplo acima do tipo de corte angulado feito pela Gibson, o mais comum por aqui como foi no caso dessa  Ephiphone Lespaul Standart que sofreu um acidente, geralmente quedas bobas são suficientes pra esse tipo de problema.

 

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O primeiro a ser feito é montar o quebra-cabeças e  colar tudo com uma boa cola para madeira. Foi feito também um reforço interno com dois pedaços de jacarandá bem duros, depois de bastante lixa, o primer antes de pintar.

 

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Depois de tudo já pintado é hora de aplicar o logo novo nas medidas originais e o mesmo material usado pela Ephiphone, tudo pra deixar como antes.

 

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Detalhe do Headstock na parte traseira. Sem detalhes, sem emendas,limpo e bonito.

 

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